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| Lefawn Hawk |
sábado, 24 de fevereiro de 2024
Monte Branco, 06 de maio, 1969
segunda-feira, 9 de outubro de 2023
Viagem a Porto Santo
23 a 30 de setembro de 2023
O prazer de encontrar o azul do mar de Porto Santo, como se a paisagem desta ilha nos prometesse alguma coisa impossível ou impossivelmente bela que de certo modo já não existe no resto do mundo. LS
segunda-feira, 26 de junho de 2023
Férias de verão em Isla Cristina - Espanha 5 a 16 de junho de 2023
Vídeo para recordar as "Férias de verão em Isla Cristina - Espanha", organizadas pela AAE BNU, que decorreu de 5 a 16 de junho de 2023. Excelente viagem com muito boa organização. Parabéns à direção da Associação, em especial à colega Olga Duarte.
segunda-feira, 8 de maio de 2023
Almoço comemorativo do 54º aniversário da Partida para Angola
Para recordar
Quinta da Vinha - Pombal, 6 de maio de 2023 Companhia de Caçadores 2505 do Batalhão de Caçadores 2872 Almoço comemorativo do 54º aniversário da Partida para Angola
sábado, 25 de março de 2023
Princesa adormecida por um belo príncipe
Todos os passados, como todos os paraísos, são impossíveis de recuperar. A não ser que façamos como aquelas personagens de uma célebre história dos irmãos Grimm: deixar pedrinhas brancas no nosso caminho, para, no regresso, não nos perdermos de nós próprios, nem do nosso passado, ainda que este seja sempre reinventado. Mas não basta ter recordações. É preciso saber esquecê-las e esperar que elas regressem.
Por vezes, num momento raro, uma dessas recordações, ergue-se no meio de outras pedrinhas que ficaram para trás. Hoje, muito especialmente, recordo o dia em que, no meio da rua, te dirigiste a mim e me disseste de roldão: “amanhã vou embarcar”. A tua frase deixou-me perplexa, a pensar nas razões que te levariam a ter tal impulso, tu que, até àquele momento, nunca me tinhas dito absolutamente nada. O que queria aquilo dizer? Seria um início de conversa? Esperei um momento. Ficaste em silêncio. O caráter de novidade da situação, deixou-me também sem palavras. Finalmente disseste: Angola. Vou para Angola. Angola? A interrogação não se fez esperar, mas não pretendia ser ardilosa — era fundamentalmente para ganhar tempo. As tuas palavras, parecendo retas, eram curvas, pois pareciam esconder mais do que mostravam e daí sentir uma certa dificuldade em alcançar o seu verdadeiro sentido.
É que na minha idade ainda acreditava no despertar da princesa adormecida por um belo príncipe que um dia iria aparecer. A questão era saber como iria captar esse aparecimento.
25 de março de 2023
domingo, 8 de maio de 2022
Comemorações do 53º aniversário da partida para Angola da Companhia de Caçadores 2505
Aconteceu no Pombal no Restaurante Amigos da Velha Caroca, um convívio de companheiros da Companhia de Caçadores 2505 e familiares.
Reinou durante o reencontro a boa disposição e a recordação de Lembranças Antigas.
Para recordar registamos este vídeo.
domingo, 13 de dezembro de 2020
As iguarias que faziam as nossas delícias
(Artimanhas para provar em primeiro lugar)
Nas minhas memórias de infância já publiquei “A matança do porco" e as várias fases desde a engorda”, neste texto vou relembrar as iguarias depois da morte do porco:
Logo a seguir à “matança”, seguia-se aquilo a moleja: cozinhávamos os "miúdos" (coração, fígado (cachola), rins, bofe e sangue). Nesta fase, ainda ligada à festa da morte do porco, participavam os vizinhos e durava todo o fim de semana. Descrevi nessa memória: “… não podemos esquecer os garrafões de vinho tinto, que nós só víamos, cantavam o fado à desgarrada pelos participantes da festa, depois de bem "comidos" e "bebidos", até de madrugada”.
Depois desta fase, seguia-se o tratamento das carnes: o picado das barrigas e as partes mais magras, temperadas com especiarias que ficavam algum tempo para tomar o gosto; preparar as tripas e enchê-las com o picado, depois de as escaldar; aqui tínhamos os chouriços prontos a serem pendurados numa vara ao fumeiro. Quando se escaldavam os chouriços, ficava à superfície uma gordura avermelhada, que íamos tirando com uma colher que depois de coalhada, era a manteiga de chouriço; salgar o toucinho, que servia para ser utilizado nos jantares de grão ou de feijão. Estes jantares por vezes também levavam um pouco de entrecosto; fritar as banhas para obter a “manteiga de porco” e consequentemente os tão apreciados torresmos. Torresmos que eu só gostava logo a seguir, quando estavam estaladiços; escaldar os lombinhos e introduzi-los em latas de cinco ou dez litros, com a banha a cobri-los (não faço ideia onde eram obtidas essas latas, mas o mais certo eram ser adquiridas numa mercearia, sem custos, porque seriam embalagens para deitar fora); tratar os presuntos, depois de uma “quarentena” na salga, com uma mistura de alho esmagado, azeite e pimentão doce, para barrar a carne.
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| Presuntos pendurados no teto |
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Chouriços no fumeiro |
A minha memória leva-me até Torre e Cercas, onde assisti a todas estas fases. Depois deste tratamento seguia-se o período de conserva destes produtos, mas eu, com os meus 6 a 11 anos, não tinha paciência para esperar todo esse tempo de conserva. Então fui desenvolvendo artimanhas para ser sempre o primeiro a provar:
- Os lombinhos de porco ficavam camuflados no interior da banha (manteiga de porco”, passado algum tempo ia com um canivete até chegar ao lombinho e tirava umas “falripas” que eram uma delícia com o pão saído do forno que o meu pai tinha construído ao lado da casa. Para disfarçar esta ousadia cobria o resto com banha, tirava, ainda, um pouco de banha, aquecia numa frigideira ao lume para derreter e cobria a superfície da lata para não se notar. Claro que aquilo ia descendo e, a certa altura, a minha mãe dava pelo desfalque;
- Ainda na fase da conserva do picado para os chouriços, ia “roubando” uns bocadinhos que fritava com a banha, era uma delícia;
- Os presuntos e os chouriços eram pendurados no teto duma cozinha que eu aqui já descrevi em: “A cozinha da minha avó, os serões e outras histórias”. Os presuntos, antes de serem “encetados”, eu passava por ali e não resistia: colocava um banco para subir até à altura onde estavam pendurados, munido dum canivete ou faca de cozinha, ia tirando umas lascas, que comia com pão. Maravilha das maravilhas. Para esconder esta ousadia, barrava o presunto com uma mistura de azeite e pimentão doce. Depois de “encetados” já não havia restrições.
- Os chouriços, como a vara era enorme, com muitas unidades, não andariama contá-los todos os dias e nem sei se eram contados, tirava um chouriço que escondia e ia comendo umas rodelinhas com pão;
- À margem da matança do porco, mas
usando, também, estas artimanhas: untava o pão com azeite e colocava camadas de
açúcar amarelo por cima, para absorver o azeite, até escorria entre os dedos. Depois
de devorado o pão, ainda, lambia os dedos (qual iguaria, qual bolo, isto era o
máximo).
F. Santos - Memórias de infância
31 de maio de 2020


